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1.6.06

afinidade

Afinidade não é o mais brilhante,
mas é o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
Não importa o tempo, a ausência,
a distância, as impossibilidades.
Quando há afinidade,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto,
no exato ponto de onde foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediante a vida.
É a vitória do adivinhado sobre o real,
do subjetivo sobre o objetivo,
do permanente sobre o passageiro,
do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro,
mas quando ela existe,
não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Ela existia antes do conhecimento,
erradia durante e permanece
depois que as pessoas deixam de estar juntas.
Afinidade é ficar longe,
pensando parecido a respeito dos mesmos fatos
que impressionam, comovem, sensibilizam.
Afinidade é receber o que vem de dentro
com uma aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com...
Nem sentir contra, sem sentir para.
Sentir com e não ter necessidade de explicação do que está sentindo.
É olhar e perceber.
Afinidade é um sentimento singular,
discreto e independente.
Pode existir a quilômetros de distância,
mas é adivinhado na maneira de falar,
de escrever, de andar, de respirar.....
Afinidade é retomar a relação no tempo em que parou.
Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram.
Foi apenas a oportunidade dada (tirada) pelo tempo
para que a maturação pudesse ocorrer
e que cada pessoa pudesse ser cada vez mais.
(Artur da Távola)

Um comentário:

Anônimo disse...

As rosas, ah as rosas da Ju,
Beijão menina
Pablo e Kika