Família
O namorado da minha mãe. A avó do meu irmão. O filho do marido da minha mãe. O pai da minha irmã. A mulher do meu pai. A mulher do pai do meu irmão. Personagens como esses estão cada vez mais presentes na narrativa cotidiana das crianças. E, embora às vezes até soe complicado para quem as ouve, elas falam sobre eles com uma naturalidade evidente. Depois de um divórcio, uma família tem de recriar a si mesma, tem de gerir-se, e os filhos são receptivos a uma variedade enorme de arranjos.
As famílias não-nucleares sempre foram avaliadas como "instáveis", mas não se leva em consideração a inconstância que existe dentro de muitos casamentos. Uma família divorciada é instável? Sim, mas a vida é instável. Essa estabilidade muitas vezes não existe no casamento - e ninguém cobra.
As separações mais danosas aos filhos são aquelas em que os pais não se libertam emocionalmente um do outro e seguem se atacando por longos períodos. Esses pais não conseguem perceber que não fazem mais parte da vida do outro. E seguem se atacando, falando mal na frente do filho. Na verdade, estão ligados e prisioneiros da raiva, do dissabor e do ressentimento. E a raiva é um sentimento que aprisiona muito mais do que o amor.
Assim como há casamentos que dão errado, há separações que dão errado. São aquelas em que as pessoas continuam com raiva, transformando detalhes em problemas. A separação que dá certo é aquela que soma, a família cresceu. E todos se tornaram amigos.
texto baseado no artigo de TATIANA DINIZ da Folha de S. Paulo, abril 2006
As famílias não-nucleares sempre foram avaliadas como "instáveis", mas não se leva em consideração a inconstância que existe dentro de muitos casamentos. Uma família divorciada é instável? Sim, mas a vida é instável. Essa estabilidade muitas vezes não existe no casamento - e ninguém cobra.
As separações mais danosas aos filhos são aquelas em que os pais não se libertam emocionalmente um do outro e seguem se atacando por longos períodos. Esses pais não conseguem perceber que não fazem mais parte da vida do outro. E seguem se atacando, falando mal na frente do filho. Na verdade, estão ligados e prisioneiros da raiva, do dissabor e do ressentimento. E a raiva é um sentimento que aprisiona muito mais do que o amor.
Assim como há casamentos que dão errado, há separações que dão errado. São aquelas em que as pessoas continuam com raiva, transformando detalhes em problemas. A separação que dá certo é aquela que soma, a família cresceu. E todos se tornaram amigos.
texto baseado no artigo de TATIANA DINIZ da Folha de S. Paulo, abril 2006

3 comentários:
Juju, querida, obirgada.
Infelizmente, não esotu melhor.
Certas dores demoram demais e a minha está apenas começando, eu sei.
Mas, vou tentando apagá-la, tentando voltar ao antes, apesar de ser quase impossível.
Quanto ao seu texto, devo dizer que passei por uma separação e meus filhos sofreram muito pela falta do lar.
A medida desse sofrimento só fiquei sabendo agora que são adultos e me contaram.
POr isso, sempre aconselho as pessoas a pensarem demais antes de ter filhos porque sempre são vítimas, sempre.
Obrigada por sua preocupação.
Eu, quando estou muito triste, sempre me lembro daquele refrão do Chico Buarque: vai passar.
beijos
Saramar,
durante a vida estamos expostos a possibilidade de sofrimentos dos mais variados, e muitos nos ajudam a crescer.
seus filhos sofreram assim como vc, eu também passei por duas separações, foi difícil para todos, mas aí é hora de escolhermos que sofrimento passar... continuando o casamento - em nome dos filhos - haveria a chance de não sofrer?
sabemos também que seu sofrimento atual passará... nada é para sempre, é a estrada da vida.
Obrigada, minha querida.
Espero que me perdoe por despejar problemas em local tão impróprio.
Sim, eu espero que sim. Vai passar.
Ainda bem que tenho o temperamento bem tranquilo. Isso, porém não impede que a dor doa.
Mas, vamos levando, até esquecer.
Obrigada.
Você é mesmo um anjo.
beijos
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