Responsabilidade individual
Ontem fui ao cinema assistir Tropa de Elite; não estava muito entusiasmada, mas depois de ler artigo na Veja desta semana quis conferir. É um filme forte como é forte o dia-a-dia de nós brasileiros que muitos sequer dão conta. Não é bonito ver nossa sociedade assim retratada, porém não podemos fechar os olhos frente a terrível realidade que ao que parece só tende a se agravar. É nossa responsabilidade, de cada um, individualmente, como formiguinhas, encontrar um caminho para incentivarmos bons valores às crianças e jovens.
Muito claro o artigo que transcrevo abaixo. Veja o filme.
14/10/2007
"Tropa de Elite" deveria ser obrigatório nas escolas
da Folha Online
O filme "Tropa de Elite" deveria ser obrigatório nas escolas. Mais do que a envolvente denúncia da banalização do mal no Brasil, na qual policiais e bandidos se transformam em animais e criminosos, o filme provoca uma reflexão sobre a responsabilidade individual.
O inocente consumidor de maconha, sentindo-se conectado com a natureza ou com a leveza espiritual, ou o alto executivo que consome cocaína são apresentados também como sócios do tráfico - e com razão.
É fácil apenas culpar o governo, a polícia, os traficantes, e assim por diante. Mais difícil é nos culparmos - e, aí, está, um dos problemas brasileiros. A culpa é sempre dos outros. Vejamos:
Muito mais do que as drogas, o que mais mata no Brasil é o álcool, uma das causas das 100 mortes diárias e mais de 100 mil feridos por ano no trânsito. Nem os publicitários nem os veículos de comunicação que exibem os anúncios de cerveja, com sedutores apelos, se sentem minimamente responsáveis por essa tragédia. A culpa? Só do governo.
Um motoboy morre por dia apenas nas ruas da cidade de São Paulo (e mais 25 por dia ficam feridos). Isso porque contratam-se empresas irresponsáveis de entrega. Mesmo sabendo que já existe um selo de qualidade para moto frete. A culpa? Só do governo.
As pessoas emporcalham as ruas com lixo apenas porque não têm paciência de jogá-lo em algum lugar apropriado. Madames não se incomodam que seus cachorros façam das calçadas banheiros. A culpa? Só do governo que não limpa as ruas.
O governo sobe os impostos sem parar assim como contrata novos funcionários públicos sem parar. Pouco se faz contra essa extorsão. Nem mesmo sabemos como o orçamento é feito. De quem é a culpa? Do governo.
Deputados, senadores, vereadores cometem crimes e fazem negociatas, mas pouco acompanhamos seus mandatos. Durante a campanha, preferimos o show do marketing do que a análise de propostas. Até nos esquecemos em que votamos. De quem é a culpa? Dos políticos.
Não quero deixar, claro, de responsabilizar os governos. Mas apenas dizer que, num mundo civilizado, todos deveriam saber quais são seus direitos mas também seus deveres. Isso é o básico de cidadania, cuja discussão o filme, através da droga e da violência, lança com alto teor pedagógico _--portanto, deveria ser obrigatório na escolas.
É um bom debate para que saiamos dessa adolescência da cidadania, com muitos direitos e poucos deveres.
*
Assim como é obrigatório pensarmos que, no futuro, a droga não será um problema de polícia, mas apenas de saúde pública. Não sei se a repressão não acaba fazendo mais mal do que bem no combate ao vício.
Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.E-mail: palavradoleitor@uol.com.br
5 comentários:
Ju
Muito boa sua idéia de divulgar este artigo.
Concordo em gênero, número e grau.
A sociedade será melhor quando as pessoas forem mais conscientes, compreenderem de modo agudo e definitivo que fazemos parte de uma rede, de um grande "grupo". Enquanto estivermos olhando para nosso umbigo apenas... (esta sociedade, que alguns parecem pensar que é uma dama antípática e cruel, e que na verdade é o apelido que damos para a reunião de todos nós) teremos este filme como expressão da realidade perversa em que vivemos, mas que muitos desejam acreditar que nada tem a ver com ela...
Que tenhamos a coragem, cada um de nós, de dar o primeiro passo para a retomada de nossa vida comunitária.
Um abração
Pri
de nada adianta repetir " isso eh uma vergonha"... onde está a vergonha?... os governates, os politicos, os cidadãos comuns sentem vergonha?
que ação cada um faz?
é mesmo uma vergonha este país sem-vergonha.
você, Juju, faz alguma coisa publicando este artigo, nós fazemos alguma coisa lendo, mas tem tanto o que fazer...
Estou me convencendo a não deixar de comprar o dvd desse filme.
Jussara,
O tempo passa e sempre ouvimos e lemos as mesmas coisas: a droga é um problema de saúde pública.
Tá bom, e daí? Sempre aparece um gênio da lâmpada que "acha" que se elas forem liberadas, acaba o tráfico e as balas perdidas - nem tão perdidas assim. Esses gênios esqueceram-se que a Nóia continuará; um idiota, antes de um assalto vai consumi-la e o simples roubo continuará sendo latrocinio; um degenerado a consumirá para os estupros - que não vão terminar com Medidas Provisórias; e etecetera e etecetera...
às vezes - quase sempre - duvido das boas intenções de quem dá essas mirabolantes sugestões como a do Dimenstein.
Foi um grande prazer conhecer seu blog e, certamente, voltarei mais vêzes, ora se volto.
Grande abraço,
allan roberto, você não deveria se interessar a COMPRAR O DVD deste filme. você deveria, sim, IR AO CINEMA e pagar o justo para assistir à metragem original.
despegar-se de módicos cinco reais por causa de um dvd PIRATA do filme, é relativamente a mesma coisa que o playboyzinho que vai fumar um baseado no morro, ou que encomenda um pacote de 1kg de cocaína lá na boca.
qualquer tipo de tráfico, seja de drogas ou de produtos ilegais, por seu próprio nome, cara.. É ILEGAL, ILÍCITO.
e tudo, tudo, tudo isso incentiva esse povo a continuar roubando cargas, criando produtos falsos, enfim.. é tudo a mesma laia.
portanto, dear Allan, se interessou pelo filme? sério, de boa, seja um bom cidadão e vá ao CINEMAAAA, hehehe!! :D
abraço.
e beijo, Ju.
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