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24.1.08

ser pedestre

Ontem completou 69 dias que fui atropelada por um carro nesta esquina, e foi o primeiro dia que saí sozinha à rua, com a bengala, e passei por aí, Rua Antonio Alvares Lobo com Delfino Cintra, cruzamento movimentado e muito conhecido de Campinas.
Rapidamente repasso o acontecimento. Feriado de 15 de novembro, as 8:30 da manhã saí de casa para ir ao caixa-eletrônico do banco, havia chovido a noite e o asfalto ainda estava úmido, quase ninguém na rua porque nos feriados as pessoas costumam dormir mais. Também não havia transito, de qualquer maneira eu sempre atravesso na faixa de pedestre, sou do tipo chata que pára no amarelo, ando na velocidade permitida, por isso até hoje não tive nenhum acidente, sou precavida. Nesta manhã eu não tinha pressa e caminhava devagar, observando a rua, quando descia a minha rua cruzei com uma mulher mendiga, andarilha, toda cheia de trapos e bêbada, pensei onde ela teria passado a noite com toda aquela chuva, senti o fedor azêdo quando passei por ela, pobre impressionante a figura. Logo em seguida cheguei a beira da calçada e vi dois carros parados no semáforo, eram dois Gols, um prata e um vermelho, lado a lado, estavam só os dois carros e o sinal verde para mim, olhei o outro lado da calçada, um predio vazio onde até pouco tempo funcionou um bingo, mas que eu gostava mesmo quando ali era o Giovanetti, onde estive a ultima vez tomando um choppinho com minha filha, quando ela veio da Europa nos visitar, foi em 2005. Voltando à manhã do dia 15, eu estava sem bolsa, apenas com o cartão do banco no bolso traseiro da calça jeans, ia apenas sacar dinheiro, meus filhos estavam em casa dormindo, e logo voltaria com o pão e leite para o café da manhã.
Eu não vi absolutamente nada, não vi que fui atropelada, acordei de bruços no asfalto sem conseguir me mexer, parecia que havia chumbo sobre minha perna direita, muitas pessoas a minha volta que apareciam e sumiam, devo ter desmaiado várias vezes porque eu apagava e via toda aquela gente longe, eu pedia para me ajudarem a levantar e um homem dizia para eu não me mexer, o resgate estava vindo, pediam o telefone de casa e eu não lembrava, consegui lembrar o nome do predio que moro e alguém foi chamar meus filhos.
Bem, eu disse que ia fazer um resumo e isto já está perto de uma novela.
Fui levada ao Hospital Mário Gatti, é público, e eu tenho que registrar aqui que fui muitíssimo bem atendida, é um hospital com estrututa e pessoal excelente.
(vamos cobrar, mas também elogiar quando tem que reconhecer, né?)
Tive deslocamento da patela (a rótula do joelho), corte na testa, esfolados no rosto, nos dois antebraços, nas mãos, no outro joelho e dias depois fiquei com o corpo coberto de hematomas.
Estou ainda me recuperando passados todos esses dias, fazendo hidroterapia, bolsa de gêlo, usando bengala, e logo vou estar boa totalmente.
Mas ontem, caminhando devagarzinho, na velocidade que me é possível por causa da dor e da falta de articulaçao do joelho, apoiada na bengala, fiquei pensando na nossa condição de pedestre.
As cidades não são pensadas para pedestre. As cidades são dos carros. Os motoristas não se lembram que originalmente são pedestres. Os governos não cuidam dos locais onde passam os pedestres, não tem faixas de segurança para travessia em muitas ruas, ou estão apagadas, como dessa esquina onde fui atropelada e que fica numa região central da cidade.
Curioso é que meu filho é preocupado com isso há tempos, até registrou um domínio 'pedrestre.org', já andou fazendo pixações nos cruzamentos colocando pontos de interrogação onde falta faixa de pedestre, sempre somos atentos à segurança de pedestre porque tanto eu quanto meus filhos exercemos muito esse direito, gostamos de caminhar pela cidade, muitas vezes deixamos o carro para ir a pé, eles também são ciclistas, é importante cuidar da segurança de quem quer se locomover pela cidade. Nós fazemos nossa parte, os governos devem fazer a sua.

9 comentários:

Anônimo disse...

Ju
Graças a Deus que você está se recuperando bem.
Fico feliz por isso...e triste com o fato de nosso país ser ainda tão carente de pessoas conscientes que
atuam na comunidade.
Um abraço e veja se aparece em Jacareí.
(o trânsito não é dos melhores...mas...)

Letícia Losekann Coelho disse...

Juju...chegou a me arrepiar ler o que te lembras do dia que fostes atropelada! Nem imagino como te sentes...
beijos meus

Anônimo disse...

Realmente é muito triste, imagine quantas pessoas sofrem por não haver preocupação com os pedestres nas grandes cidades no Brasil.
Sou brasileiro e vivo há muitos anos nos EUA, me impressiono toda vez que vou aí, é muito perigoso andar nas ruas.
Muito bom post.
Desejo melhoras.
AC

Anônimo disse...

Oi Ju!
Fiquei super chateada com o que lhe aconteceu. Que bom que está se recuperando bem. Adiciono meus protestos aos seus. é um absurdo a falta de valor da vida que fica implícita na precária legislação que temos. É preciso que as pessoas voltem a se ver. O excesso de individualismo nos torna mais vulneráveis.

Um abraço comprido e apertado
Eloise

Anônimo disse...

querida amiga !

Blog é com Ju mesmo : moderna e ágil só vc. querida ! Aceito sua ajuda, vc. é craque nisso !
Até hoje não converso no MSN, veja só !
Fico feliz que estja saindo desse retiro espiritual, digamos assim .
Semana passada foi a colação de grau e baile de formatura da Bianca : debutei na pista de dança, foi ótimo , me achei e ganhei um belo inchaço nas pernas, mas me aguarde: quero voltar a dançar!!!
Aguardo sua visita de " atualização do ano ", planos e projetos para 2008 e boa recuperação !
Abração

Unknown disse...

a Mariângela também sofre com o joelho há muito mais tempo... é isso aí Mari, temos que ter paciência!
Paciência... tenho ouvido muito essa palavra ultimamente por todos os lados.
Paciência!...

Luiz Santilli Jr disse...

Os acidentes são inevitáveis nesta país, pois não há o mínimo respeito entre as pessoas!
Hoje é tarde para ficar reclamando de faixas de travessia!
Tenho uma amigo em recuperação, depois de um terrível atropelamento, saindo de um culto religioso, sobre a faixa de travessia de pedestres, ajudando uma senhorinha de oitenta anos atravessar a rua!
Se continuar a impunidade, a tolerância aos pequenos delitos, nunca vamos sair da barbarie em que nos encontramos.
Cuidemo-nos de nós próprios ao máximo e boa sorte!
Jussara, desejo pronta recuperação e no futuro cuide-se muito mais, pois ninguém cuida de nós!
Veja o curioso do caso de meu amigo: fazia uma caridade, estava sainda de um culto religioso, onde seguramente Deus foi exaltado o tempo todo!
Eu pergunto e meus botões permencem mudos: porque Deus não evita o acidente antes e vem depois ajudar a recuperação do acidentado?
É em Deus sádico esse!

Kzoo disse...

Fico revoltado quando irresponsabilidades acabam gerando acidentes.
E tudo começa com um quesito básico: Educação
Morando durante 2006 em Sydney, Austrália, pude comprovar como funciona o trânsito com educação. Já começa que uma cidade do porte de Sydney, com 4,5 milhões de habitantes, não tem congestionamentos em nenhum ponto da cidade.
Não há acidentes com motos, pois não temos motos "costurando" no trânsito.
Existem muitos ciclistas e estes não possuem faixa exclusiva. Também não é necessário, pois são considerados veículos de transporte e todos os respeitam.
Só tenha cuidado quando o sinal de pedestres fechar, pois o motorista Australiano acelera tudo!!!!

Anônimo disse...

Ju,

Li o artigo. É uma lástima a educação do motorista brasileiro. Estive nos Estados unidos no ano 200, em março, e lá vi a diferença. Quando você vai atravessar a faixa de pedestres, todo mundo pára, independentemente do sinal de liz no semáforo. Ou seja, você avança o sinal na hora que os carros podem passar, e eles param para você, e, o que é mais, ninguém te xinga nem reclama. É um dever parar para um pedestre, ou não é? Será que parar para o pedestre é um uma obrigação ou uma infração? Lá é obrigação!

Abração.

Camilo