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23.9.09

elucubrações

tarde de primavera em frente ao mar, pensamentos passeiam pela minha cabeça... por que tem gente que complica a vida?


Vida é esse processo misterioso da gente estar jogado no mundo. Esse aprendizado maravilhoso.(...) Acho que a vida é mistério, transcendência e processo.” (Lya Luft)
Curioso como tem pessoas que levam a vida achando que não vai ter fim, não cuidam das relações, fecham os olhos para o que está à sua volta ou mesmo exigem que os outros ‘cumpram’ as suas vontades. E o mais curioso ainda é que essas pessoas sofrem, se angustiam e fazem o outro sofrer também, muitas vezes por coisas ridiculamente simples.
Tem um programa na tv a cabo, na GNT, que assisto sempre que posso, Happy Hour com Astrid Fontenelle. Vejo, antes de tudo, porque gosto dela desde os tempos do Barraco MTV, acho que é antenada, uma mulher aberta e curiosa, características perfeitas para uma jornalista. Os temas são interessantes assim como os convidados.
Pois bem, depois de fazer propaganda o programa, o que quero contar é sobre um tema de uns dias atrás sobre a nova família e como a sociedade atual se relaciona com este novo modelo. Fiquei pensando que um programa com aquela conversa ao vivo há alguns anos seria impossível, no entanto, hoje é transmitido as 19h. Os convidados eram uma psicanalista que vive com outra mulher e elas um filho registrado no nome das duas, a outra convidada é mulher que tem vários casamentos e os filhos dos casamentos convivem muito bem, típicos modelos da nova família.
Na nova novela da Globo os protagonistas se apaixonam e se casam enfrentando a fúria da filha dele e da ex-mulher. O autor coloca na boca da ex-mulher o que a grande maioria das ex reclamam “os direitos sobre ele”. Ao que a noiva retruca que não quer direitos sobre ninguém, manda a famosa e verdadeira frase “ninguém é de ninguém”. E que eu completo com a música de Miltinho dos anos da minha infância...
“Ninguém é de ninguém
Na vida tudo passa”
Tudo passa, sabemos disso. E tem gente que pensa que um papel é uma “segurança’, que vai “amarrar”, que não vai ter fim... são essas pessoas que sofrem porque querem uma vida estagnada, parada, definida, nada mudando, sendo que a vida é justamente mudança, todos os dias aprendemos, vivenciamos, experimentamos, são desafios e emoções diferentes que moldam as pessoas, por isso cada um é um.
Mudança. Muda o mundo, muda a sociedade, as necessidades, as relações entre as pessoas, o que significa que é possível cada um ter a liberdade para exercer o papel de dono da sua própria vida.
Lembro de uma conversa com minha sogra (agora ela é ex-sogra, mas nos damos muito bem, somos da mesma família), ela me falou que ficou emocionada vendo um documentário na tv sobre as tartarugas que saiam dos ovos e corriam para o mar. Disse: “É assim que somos todos, tartaruguinhas, sozinhas, que temos que procurar o melhor caminho para sobreviver”. Esta imagem ficou na memória, aquelas tartarugas minúsculas correndo na praia, só poucas serão felizes porque escolherão o caminho.
Parece que estou desvirtuando do tema, é que a vida é essa mistura e processo, um mistério, como diz Lya Luft. O meu tema aqui é a nova família, casamento, filhos, e tudo que isso envolve, amigos, trabalho... tema pra muito assunto e eu não tenho pretensão de escritora, nem sou cientista social, pedagoga, psicanalista, nenhuma ‘entendida’ no assunto. Sou apenas uma mulher aberta e curiosa, neste momento de grandes mudanças que procura acompanhar e viver bem.
O casamento como instituição é uma invenção do cristianismo por volta do ano 1000 para regularizar fortunas e heranças, também para que os homens se responsabilizassem pela prole. Naquela época era sinal de segurança para a família. Os membros da família eram mão-de-obra para cuidar das propriedades. Mas os tempos mudam, não é mesmo?
Passaram mais de 1000 anos. As mulheres são outras, os homens são outros e a família também. O amor, e não mais a segurança, passou a ser o motivo das uniões. As igrejas (não as religiões) tentam vender a imagem de que o amor é eterno, que amor é um só, pela vida toda, porque ainda sobrou um ranço desses 1000 anos.
Amor eterno é entre pais e filhos, esse amor não se quebra jamais. Não importa quanto as pessoas mudem, os pais amam seus filhos e os filhos amam os pais, mesmo que não expressem o sentimento existe.
Já quanto à vida de duas pessoas que se comprometem a estar ligadas, as mudanças naturais da vida, o crescimento, em muitos casos faz com que o que antes tinham em comum passe a ser quase que oposto. Quem não conhece um casal assim?
Acredito que a sorte faz com que as pessoas se encontrem, e estas então podem passar por toda a vida uma ao lado da outra se existir admiração, respeito, afeto, amor. Mas pra quem não é assim, resta ficar amargando uma vida cheia de ódios e criticas? De brigas e stress? De mágoas e fugas? De traição e mentira?
Infelizmente ainda existem casais que são de fachada para manter a aparência da família. Também alguns ficam por conveniência, porque algum lucro tem e falta coragem para viver a própria vida. Como pode essa pessoa não dar valor para a sua vida?
Casamento não é prisão. Família é um conjunto de pessoas que sentem afeto uns pelos outros. Esta nova família que surge mostra que o afeto, a compreensão e o respeito são a base do bom relacionamento.
A vida é uma só. O caminho cada um escolhe. Ninguém é de ninguém. Viver bem é simples. Um lar não é um cenário de batalha, mas um palco para que todos brilhem.
(qualquer hora continuo com as minhas elucubrações...)


3 comentários:

Pablito Furii disse...

Ju,
Venho "pregando" este novo processo, esta nova e necessária maneira de encarar os relacionamentos. Na maioria das vezes em vão, de um ouvido a outro sem ficar nada, exceto a concordância momentanea. As pessoas, de maneira geral, até concordam, porem se nitidamente se resguardando - Comigo não nenem! É muito triste tudo isso. Muito doloroso ver ainda relacionamentos se prolongarem sem necessidade. Ambos se matando aos poucos. E o tempo passando. E a tristeza aumentando.
Que pena por eles.
De minha (nossa) parte, sigamos felizes e pregando nossa alegria.
Beijão, mulher.

Lu Saharov disse...

Ju! Delícia navegar pelas postagens antigas de seu blog. Nossa, como tem assuntos interessantes, menina! estou adorando! BJS!

Unknown disse...

Lu, sabe que até eu gosto de revisitar e reler o que escrevi. Este é um texto que gosto, escrevi pensando numa pessoa, passou um tempão e ela não mudou, incrivel como as pessoas complicam a vida e sofrem!