Sentando no banco de trás
foto de Walkiria Adams - sua netinha que nasceu há poucos dias
De como as amizades virtuais nos ajudam a refletir.
Há alguns anos participo de uma comunidade fechada no orkut, somos poucos, pessoas mais ou menos da mesma idade, vivendo em diversas partes do país e do mundo, muitos nem conheço pessoalmente ainda, mas quase que diariamente entramos nos tópicos de discussões para trocarmos idéias, e assim formamos um grupo com diferentes experiências e muito para trocar.
Num desses tópicos a Walkiria Adams (autora da foto que ilustra o post), brasileira que vive nos EUA, abriu um tópico com esse título: "Sentando no banco de trás", um fato e uma reflexão, surgiram os comentários, achei bem interessante, pedi permissão à ela para publicar aqui:
Estive até há pouco conversando (ou tendo uma discussão) com uma amiga pelo Skype.
Uma das suas filhas está grávida (será o primeiro neto ou neta) de ambos os lados da familia e, naturalmente a expectativa é enorme. Ocorre que a futura mamãe e o marido moram aqui. Vieram para fazer respectivamente doutorado e mestrado. Ela terminou o doutorado no mês passado e ele vai concluir o mestrado e já decidiu continuar com o doutorado (que vai durar mais dois anos), o que significa que vão continuar morando fora do Brasil por mais algum tempo e também decidiram que o bêbe vai nascer aqui.
A futura avó (minha amiga muito querida), está inconformada. Quer que sua filha volte para o Brasil,tenha o bêbe perto dela e por lá permaneça até o marido concluir os estudos. Está em crise porque a filha que foi visita-la está por voltar para casa no dia 09. Tentei fazê-la ver que está tentando sentar na direção do carro e tomar o rumo pela filha, porque pensa que sabe melhor, porque pensa que é necessário, porque é uma mãe extremamente controladora (inclusive tem a consciência de que é).
Uma das suas filhas está grávida (será o primeiro neto ou neta) de ambos os lados da familia e, naturalmente a expectativa é enorme. Ocorre que a futura mamãe e o marido moram aqui. Vieram para fazer respectivamente doutorado e mestrado. Ela terminou o doutorado no mês passado e ele vai concluir o mestrado e já decidiu continuar com o doutorado (que vai durar mais dois anos), o que significa que vão continuar morando fora do Brasil por mais algum tempo e também decidiram que o bêbe vai nascer aqui.
A futura avó (minha amiga muito querida), está inconformada. Quer que sua filha volte para o Brasil,tenha o bêbe perto dela e por lá permaneça até o marido concluir os estudos. Está em crise porque a filha que foi visita-la está por voltar para casa no dia 09. Tentei fazê-la ver que está tentando sentar na direção do carro e tomar o rumo pela filha, porque pensa que sabe melhor, porque pensa que é necessário, porque é uma mãe extremamente controladora (inclusive tem a consciência de que é).
Ela sabe que pode vir para o nascimento do bêbe e ficar um tempo por perto (foi isso que a filha pediu),mas ainda assim não consegue conformar-se. Chorou, reclamou, esbravou até que eu (com minha delicadeza de rinoceronte) disse a ela que é duro mas está na hora de sentar no banco de trás do carro (no que concerne à vida não apenas dessa filha, como na vida dos outros dois) e aproveitar o resto dessa viagem como passageira. Pode até dar algumas indicações nas passagens da estrada que conhece há mais tempo, mas não pode dirigir e nem fazer a viagem pelos filhos. No caso dessa filha mais nova e que vai ter seu próprio bêbe é uma viagem em que ninguém a não ser ela pode ser o piloto. Sei o quanto é díficil a arte de nem sempre opinar, de achar que nosso jeito é o melhor (principalmente quando estamos para ser ou somos avós).
Receio que tenha sido excessivamente dura com ela, mas continuo acreditando que a analogia é válida. É preciso que se aprenda a sentar no banco de trás e ainda assim ter uma jornada maravilhosa, a única coisa necessária é estar lá e deixar o controle de lado.
"Vossos filhos não são vossos filhos, são os filhos e a filhas da ânsia da vida por si mesma" Gibran Khali Gibran
Ele não era a mãe de ninguém, mas acredito que sabia de algumas coisas...
Receio que tenha sido excessivamente dura com ela, mas continuo acreditando que a analogia é válida. É preciso que se aprenda a sentar no banco de trás e ainda assim ter uma jornada maravilhosa, a única coisa necessária é estar lá e deixar o controle de lado.
"Vossos filhos não são vossos filhos, são os filhos e a filhas da ânsia da vida por si mesma" Gibran Khali Gibran
Ele não era a mãe de ninguém, mas acredito que sabia de algumas coisas...
comentários dos membros do grupo:
1 - e eu assumi meu lugar confortável no banco de trás, dou meus pitacos, pode ser que ouçam ou não, mas estou curtindo a viagem que eles escolhem.
2 - Em minha opinião ela não pode querer dirigir a vida de seus filhos... Cada um deve seguir o seu próprio caminho e, melhor do que ir sentada no banco de trás, acho que ela deveria dirigir seu próprio carro...e acostumar-se a andar sozinha!
3 - É isso...Os filhos crescem e tomam nas suas mãos os seus próprios destinos e, afinal, foi para isso que procuramos a todo custo criá-los, não é mesmo? É meio complicado ver os filhos fazerem coisas que nós achamos que poderiam ser feitas de outro jeito. Eu tenho dois filhos homens, homens de bem e excelentes filhos, mas que seguem passos que eu não daria, pois acho que vai ser dor de cabeça no futuro. Eles ouvem, ponderam e seguem fazendo os que lhes dá na "telha". Bom, só nos resta fazer a nossa parte: aconselhar, aconselhar e aconselhar. Só o futuro vai dizer se os conselhos foram bons e não. Mas isso não importa. Eles já seguiram suas vidas e o tempo não pára... Quanto a mãe da nossa amiga, eu acho que é mesmo sentimento de posse. De que os filhos não podem se virar sozinhos, que continuam a ser aquelas pobres crianças indefesas precisando de nossa ajuda. Ledo engano. E como bem disse a Walkiria, a hora é mesmo de "ir no banco de trás" e curtir, se for sábio, a beleza da paisagem.
4 - É tudo que eu quero...sentar no banco de trás...mas de um carro de passeio. Por enquanto ainda estou na direção do carro forte... e como condutora desse tipo de carro...tenho que determinar algumas regras.
5 - Ver nossos filhos crescerem, assumirem a direção da vida, tomar rumos diferentes do que queriamos, e muitas vezes cometerem erros que a gente sabe que vão se arrepender mais tarde, é bem doloroso. Não no caso da sua amiga, a filha está fazendo algo que acredita. Eu tô vendo meu filho andando de bicicleta, cambaleando... quase caindo e não posso fazer nada além de olhar e rezar muito....
6 - É difícil mas,necessário!!!! Sentar no banco de trás,depois de ser motorista a vida toda,é muito complicado..... Mas,é aprendizado prá nós todos ...
7 - Sim, é extremamente necessário e salutar para ambos os lados, que se dê asas aos filhos, deixá-los crescer, ver o mundo com seus próprios olhos, respirar a vida com seus próprios pulmões. A direção do "carro" foi passada, e a melhor maneira de se saber se estão se saindo bem dos percalços e armadilhas da trilha é se sentar no banco de trás e admirar a paisagem.
8 - Dos 4 filhos que tenho, 3 já joguei de cima da árvore como a mamãe passarinha faz com os seus filhote, assim que completaram 18 anos (a maior idade atualmente), porque a minha parte de protetora suprema acredito já ter feito, agora é por conta deles com a minha presença sempre que precisarem. Sempre disse, que se quiserem me dar netos ficarei muito feliz, mas sem o menor compromisso, a não ser o de avó mesmo, que é de estragar, hehehe... Opto por ficar fora deste carro, e só assistindo de longe mesmo!
Hoje recebi este vídeo, feito por um amigo da juventude, Bosco.

Um comentário:
Tenho que confessar que não vejo a hora de sentar no banco de trás. Quero ver a vida com olhos de passageiro. :)
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