Nativitas
Recebi um email da minha amiga Lu com este lindo texto que ela escreveu, tive que publicar!
Nativitas
É só pensar em Natal, e nossa mente submerge num atoleiro de Jingombells, Hohohos, crediários que nos aliciam a comprar o que não nos fará falta, mensagens repletas de sininhos, anjinhos, paisagens nevadas, renas, papais-noéis, etc e tal! Isso misturado a anúncios de panetone, champagne, peru, tender, castanhas, amêndoas, nozes, uvas e mais, e mais e mais areia movediça de onde é difícil escapar!
Finalizamos o ano nos esfalfando em comemorações.
Mas, a bem da verdade, comemoramos o que?
Comemorar significa “trazer de novo à memória”. Rememorar. Recordar.
Trazer à memória o que nos foi caro, o que nos foi importante, o que nos deu prazer, o que nos marcou a existência, o que nos fez bem à alma, o que nos aproximou do Sagrado.
A palavra comemorar me remete sempre à imagem de degustar com a memória. Trazer à lembrança aquele lugar especial, aquelas pessoas queridas, um sentimento, uma época da vida, algo que não existe mais no presente, mas pode ser fisgado lá do passado e trazido até mim. É desse substrato que minha alma se alimenta, aquieta a mente, fortalece o corpo.
Creio que cada um de vocês possui o seu substrato particular, que, tenho a certeza, passa ao largo desse natal anunciado pelas mídias, cantado em alto falantes, apregoado em ofertas dos hiper-mercados, ancorado em insanos congestionamentos à volta dos shoppings desse nosso planeta agitado!
Vou partilhar com vocês o que minha memória ama, comemora, e ressuscita a cada Natal: A casa quieta, o cipreste natural emitindo seu aroma de clorofila pela sala, o lampadário tremulando sua chama frente ao ícone de Virgem de Kiev (ela, a deusa, o lado feminino da trindade, que permitiu que em seu ventre o espírito de Luz ganhasse a carne), o avô retocando os últimos enfeites da árvore, a avó tomando seu chá e relendo as receitas tradicionais que logo seriam confeccionadas, a mãe passando nossas roupas de domingo para a missa, o pai separando as partituras dos hinos sacros que o coral da igreja iria cantar, sob sua regência. Eu, sentada no tapete, bem ao lado do meu cão Juk, seguia com os olhos todos os preparativos, sentia um calor gostoso dentro do meu peito e agradecia ao Menino por nos proporcionar dias tão mágicos! A vida era mais calma, os apelos publicitários mais discretos, os presentes mais desejados, a família mais reunida e o espírito natalino, permeando de fé e amor nossa existência, quase que se materializava naquela casa.
Vamos lá! Nesse Natal, convido cada um de vocês a mergulhar fundo nessa comemoração tão particular e única, vivenciando a bem-aventurança de presentear a alma com suas lembranças mais caras e preciosas. Vamos lá!
Feliz Natal!
(Ludmila Saharovsky)

3 comentários:
Olá.
Amei cada momento de memoria da Ludmila. Me vi sentada no chão, sentindo o cheirinho da árvore natural, aliás pra mim natal tem cheiro de ciprestre, e árvore enfeitada toda colorida com pedaços de algodão pra imitar neve. Bons tempos em quecomemorar era simplesmente comemorar, e não comprar comemoração....é....deveríamos resgatar essa simplicidade.
Bjão
mari
Cada um vê o Natal de uma forma, e difícil é dizer qual a mais bela!
Obrigada pela visita lá no blog, é muito bem vinda! Vou passando por aqui também para trocarmos idéias!
Bj e boa semana
Adri
Oi Ju querida, que prazer foi sua visitinha no meu blog, amei muito! Vc me seguiu huhu to bem feliz, obrigada linda, volta sempre selamos um pacto heheheh. Anjinha q tanto blog você tem, to seguindo todos ou quase todos ehhehe. bjbj
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