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29.3.06

após os 50


"A nossa cultura está fixada nos mitos da eterna juventude, da imortalidade da beleza. (...) Na verdade, acho que a vida é um processo, uma dinâmica constante. É como subir uma montanha. Mesmo que no fim não se esteja tão forte fisicamente, a paisagem visualizada é melhor".
"A beleza física não se perde, se transforma. (...) É mais tranqüila, mais harmoniosa, mais natural. A vida é feita de perdas e ganhos. E depende muito da gente sair da postura de vítima.”Lya Luft


No meu aniversário de 50 anos, uma grande amiga me deu de presente um livro de Lya Luft, dizendo que enquanto estava lendo, muitas vezes se lembrava de mim, notava que o que a escritora colocava ela observava na minha vida, nas coisas que eu fazia, nas coisas que costumo dizer. Realmente me identifiquei, é o que sinto ao chegar à minha idade. De alguma forma, mesmo que algumas vezes forçada e empurrada, escolhi os caminhos que tenho percorrido, algumas perdas e muitos ganhos.
Quietude e reflexão são estados de espírito para desfrutar a maturidade, a liberdade interior; hoje busco a simplicidade. Estou na fase da colheita. Agora tenho possibilidade de olhar para mim. Tenho mais paciência, tolerância e bom humor. Os anos trazem muita coisa boa, estou curtindo essa etapa da vida como um privilégio. Outono da vida. Tenho a possibilidade de ler mais, ouvir muita música, passear, desfrutar da natureza, estar com amigos. Amar. É muito bom ficar em casa, quieta. Adoro o mar, caminhar...
Sempre em frente, subindo a montanha e desfrutando a paisagem cada vez mais ampla.

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