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29.3.06

mudanças


Aprendi com a natureza a me deixar cortar e voltar sempre inteira
Minha filha sempre me escreve cartas, já há alguns anos vive longe, muito longe, no entanto somos muito próximas, tão próximas que poucas são as pessoas que me conhecem tanto quanto ela; numa de suas cartas escreveu essa frase de Cecilia Meireles, dizendo que se lembra de mim.
Não posso deixar de concordar, as mudanças são doloridas, machucam, no momento que as estamos vivendo parece insuportável, porém, com o tempo, acabamos por descobrir que as mudanças, por pior que pareçam ser, são sempre para melhor, saimos revitalizados depois de uma dificuldade, depois de um sofrimento, muito mais fortalecidos e sentindo que foi deixado um grande peso para trás, aquilo que nos impedia de seguir em frente.

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo."
Cecília Meirelles

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