Translator

Mostrando postagens classificadas por data para a consulta bolinho caipira. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta bolinho caipira. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

21.1.12

não, este blog não está abandonado!

O Juju completa 6 anos agora em março, foi com ele que aprendi os primeiros passos da blogosfera. Quando comecei nem tinha ideia do que poderia fazer com um blog, fiz mais para relatar fatos e acontecimentos da minha vida, escrever algumas reflexões, postar minhas fotos, depois de um tempo fui ficando animada com esse meio de comunicação e resolvi criar outro blog, e mais um, e outro ainda, pois os assuntos que me interessam são tão variados que achei que deveria dividir, até que criei O Móvel, meu blog mais visitado atualmente, dirigido para a área de design e decoração. Quando mudei para Salvador comecei o Juju na Bahia para contar da nossa vida por aqui. Acabou que não tenho feito muitos posts aqui, mas ele não está abandonado não! São 574 post publicados até agora, muita coisa registrada e guardada nele!
O post mais visitado é Bolinho Caipira de Jacareí, com a receita da minha avó Nicota, tem muita gente interessada na receita desse quitute típico da região do Vale do Paraíba.
O segundo mais visto é São Paulo, bela cidade, com fotos de fiz nesse lugar que gosto tanto, apesar de toda a complicação de viver lá, é uma cidade apaixonante, com tanto para apreciar, é só olhar para ver!
Tem vários post com fotos que fiz de São Paulo: "sexta à tarde no centro da cidade", "no coração de São Paulo", "São, São Paulo, meu amor", "turista acidental", "São Paulo, 455 anos", "São Paulo (quiz)", "a semana que passou...", "São Paulo no outono", "no Brás", "passeando por São Paulo" sem contar tantos outros que mostro São Paulo com o meu olhar. Há exatos 3 anos estava com minha filha, genro, minha mãe e meu caçula passeando por Sampa, a minha netinha também, na barriga, foi um passeio turístico para mostrar o centro para o genro alemão, aqui.
Durante esses anos do blog eu morei no Arraial d'Ajuda no sul da Bahia, em Aracajú, em Campinas e em São Paulo antes de vir para Salvador, tem um pouco de cada lugar aqui. Por todas essas histórias registradas, jamais vou abandonar o blog, ele é um tesouro!
Em 23 de março de 2006 o primeiro post "Eu".

foto de 2006 em viagem de Aracajú para Salvador

Tem muita estrada ainda para esse blog!

*

6.7.10

Bolinho Caipira de Jacareí

Este é o segundo ano que acontece, em Jacareí, a Feira do Bolinho Caipira, entre os dias 24 e 27 de junho. Este ano foi aprovado pela Câmara Municipal de Jacareí o projeto que faz do famoso bolinho Patrimônio Cultural da cidade. Durante a feira foram devorados milhares de bolinhos, teve shows e meu irmão Eduardo fez uma palestra contanto um pouco da história do bolinho caipira na nossa família, pois a avó Nicota foi uma das precursoras na divulgação do quitute, em seu Botequim de Café no Mercado Municipal de Jacareí a partir de 1925.

Mariangela Castro, colunista de "Faces" do jornal Diário de Jacareí, publicou algumas fotos e me enviou.




meu irmão Eduardo e as primas Roseny e Luiza Renata

netos e bisnetos 

Capucci (diretor cultural), Edinho Guedes (vereador autor do projeto) Augusto (bisneto), Roseny (neta), Eduardo (neto), Luiza Renata (bisneta) e Luiz (neto), o evento aconteceu no MAV, no prédio onde hoje é museu e que foi a minha primeira escola.

a colunista Mariangela Castro e  Eduardo Gehrke

em painéis, na feira, fotos do nosso bolinho

é uma verdadeira delícia!

Ana Rita Alves Gehrke, dona Nicota, homenageada

aqui a receita simples e saborosa, irresistível!


Jacareí, antiga cidade do interior de São Paulo no Vale do Paraíba entre Rio e São Paulo, rota dos desbravadores, nesta região foi criado o bolinho, mais história aqui


22.6.09

bolinho caipira de Jacareí - história


Onde começa a história do bolinho caipira de Jacareí?

Para mim começou por aqui:

Nas ultimas décadas de 1800 duas pessoas vem ao mundo em continentes distantes e tornam-se, de alguma forma, difusores do que hoje é o tradicional bolinho da cidade.

Era inverno na Pomerânia, norte da Alemanha, quando August, agricultor, sofria com a falta de trabalho e ouviu sobre uma viagem para “um lugar onde tudo se plantando dá”. Chegando em casa, sua esposa Ernestine preparava a sopa enquanto os três filhos se aqueciam perto do fogão aproveitando o calor que a lenha proporcionava. Entusiasmado contou sobre o navio que partiria em fevereiro para um lugar quente, bonito e onde poderiam trabalhar e ter dinheiro para que os filhos pudessem crescer.

Ele tinha 56 anos e, viúvo, fazia quase 10 anos que estava casado com a nova esposa que tinha 40 anos, mulher de aparência frágil, porém com energia para seguir o marido. Decidiram arrumar as coisas e partirem de Hamburgo para a vida nova. Foi uma difícil jornada junto com tantas outras famílias que tinham o mesmo sonho.

Depois de dois meses no mar chegaram ao porto de Santos e foram encaminhados à Hospedaria dos Imigrantes onde passaram alguns dias até decidirem embarcar no trem com destino ao Vale do Paraíba para trabalhar nas plantações de café. A família desembarcou em Jacareí para trabalhar numa fazenda. A meninas Mathilde e Albertine eram maiorzinhas e Edouard tinha 4 anos. E com ele a história do bolinho continua.

August veio a falecer pouco mais de um ano da chegada. Para ajudar na casa as meninas começaram a trabalhar numa indústria têxtil. Ernestine gostaria de ter voltado para sua terra, mas esse sonho não se realizou.

Eduoard tinha 7 anos quando nasceu um bebê na casa vizinha, todas as crianças se alvoroçaram para ver a criancinha da casa dos portugueses, era a menina Ana Rita, filha de dona Julia que acabava de nascer. Uma tarde os alemãezinhos foram chamados para ver a menininha no berço. Uma das tias que lá estava se dirigiu à Edouard e vacinou: “Nasceu a sua noiva”.

E foi assim. Cresceram juntos e quando a menina completou 14 anos vestiu grinalda e flores de laranjeira para se tornar a esposa de Edouard, então com 21 anos trabalhava no comércio.

A nova família crescia e cada vez mais dificuldade para criar os filhos. Ela tinha o apelido de Nicota e ele era Edo. Dona Nicota era excelente cozinheira, e ela criava como podia receitas com os parcos recursos para alimentar a família. Edo era um homem recatado, quase tímido, sofrendo preconceitos por sua ascendência germânica em um momento político-social conturbado no mundo com a Primeira Grande Guerra. Não conseguia boa remuneração nos trabalhos que encontrava.

Foi numa conversa ao pé do fogão de lenha, como fizeram August e Ernestine, que Edo e Nicota decidiram mais uma vez mudar os rumos da família para garantir a sobreviência. Era o ano de 1925 e compraram um box no Mercado Municipal de Jacareí e lá montaram o Botequim do Café. Nicota preparava salgados e doces, o ponto ficou conhecido e muita gente começou a ir ao mercado provar os quitutes daquela senhora pequena que produzia grandes sabores. E dentre tudo que fazia o que tinha mais destaque eram os bolinhos de farinha de milho branca recheado com carne de porco que ela havia aprendido com a mãe, eram os prediletos de Edo também que a ajudava no botequim com as compras e a contabilidade.

Esse bolinho chamado de “caipira” (que é como é chamada a pessoa que vive na roça) deve sua criação aos tropeiros que passavam pelo Vale do Paraíba em direção ao interior, onde primeiro foi cultivado o milho, vindo dos países do leste da América do Sul. O milho é o alimento de milhares de anos dos povos da região do atual México e que primeiro se espalhou para o sul e depois para o mundo. Quando os tropeiros voltavam carregavam a farinha de milho pois era mais leve que a de mandioca para carregar no lombo dos burros, e a carne de porco para o recheio encontravam nas pequenas criações pelo caminho. Foram os primeiros tropeiros que trouxeram o milho para a região do Vale, ensinaram a fazer a farinha e o bolinho. Como seu caminho acompanhava o percurso do Rio Paraíba do Sul, rico em peixes, uma das variações do bolinho era com recheio de peixe, principalmente o lambari.

E entre 1925 e 1953 dona Nicota trabalhou dia e noite fazendo seus quitutes e fritando bolinhos. Ficou viúva e continuou na labuta para criar os filhos. As filhas mais velhas a ajudavam no Botequim até quando ela, já envelhecida, tinha dificuldades para continuar com esse encargo e vendeu o negócio, que continuou no Mercado por muito tempo ainda.

Octávia, irmã de Nicota casou-se com um soldado e foram morar em Caçapava onde tinha um batalhão do exército e lá seguiu o exemplo da irmã para ajudar a família, difundiu o bolinho caipira usando a farinha de milho amarela que era mais comum.

Devagar a simples receita de farinha, água e carne se espalhou por todas as cidades da beira do rio e em cada uma tem uma nota diferente, um tempero, um modo de fazer.

A receita original que dona Nicota fazia no Botequim do Café em Jacareí e que tornou apreciado o bolinho caipira é essa:


BOLINHO CAIPIRA DE JACAREÍ


(receita da minha mãe, original da minha avó Nicota)


ingredientes:
1 prato fundo de farinha de milho branca
1 colher cheia de polvilho (de preferencia azedo)
1 maço de cheiro verde, predominando alfavaca (o majericão miúdo)
sal a gosto


como fazer:
Misturar bem com as mãos, esfarelando, adicionando água em temperatura ambiente até dar ponto para enrolar.
O recheio pode ser linguiça ou carne de porco picadinha,
o recheio mais pitoresco é com peixe, principalmente lambari.
Fritar em oléo bem quente.

por Jussara Gehrke, neta de Edo e Nicota

20.6.09

bolinho caipira de Jacareí

Bolinho da vó Nicota



Nos anos 50, quando eu era menininha, uma diversão eram as quermesses no Largo da Matriz de Jacareí, nas ocasiões de festas religiosas, e a grande festa era no dia 8 de dezembro, dia a Imaculada Conceição, padroeira da cidade.


Na pequena cidade de interior do Vale do Paraíba, com a população predominante católica, havia motivos para celebrar os santos. Era motivo também para as pessoas se encontrarem, escutarem a banda tocando no coreto enquanto as crianças brincavam no jardim com rosas nos canteiros, tudo isso acontecia depois da missa. Lembro-me que quando estava na missa já sentia o cheiro vindo lá de fora e o burburinho dos que estavam montando as barracas.


E tinha procissão. Na Semana Santa, depois da procissão e da missa tinha quermesse. Durante todo o mês de maio havia homenagem à Virgem Mãe, quando as crianças vestidas de anjinhos (e eu fui muitas vezes um deles) depositavam flores nos pés da imagem de Nossa Senhora da Conceição, no altar da Matriz, e depois tinha quermesse.


Em junho aconteciam as festas juninas, além da quermesse do Largo da Matriz as pessoas organizavam festas com fogueira nas casas e soltavam balão. Meu tio fazia grandes balões coloridos de papel de seda e soltava nas noites de Santo Antonio, São João e São Pedro, lá no quintal da minha avó para alegria de todos, era uma grande emoção ver os balões subindo até sumir aquele pontinho luminoso no céu se misturando com as estrelas.


Na casa da minha avó Nicota tinha um fogão de lenha que me recordo sempre aceso, ela fazia doces e compotas em grandes tachos, eram doce de mamão verde, de abóbora, de laranja, e o cheiro de cravo e canela exalava na casa toda.


Mas minha avó era famosa pelos bolinhos caipira que preparava. Nas quermesses da Matriz lá ia ela, minhas tias, minha mãe e as amigas com os apetrechos montar a barraca e preparar os bolinhos. Era grande movimento dentro da barraca para atender a fila de fregueses. Nunca me deixavam ficar dentro da barraca porque eu era pequena e podia ser perigoso, levavam um fogão e fritavam na própria barraca, espalhando o cheirinho típico por toda a praça. O bolinho saia crocante e quente, feito para aquecer o corpo e os corações.

.
Depois, quando adolescente, no colégio faziam festas juninas, e minha mãe, como professora de Artes, era uma das organizadoras dessas festas, preparando enfeites e criando brincadeiras para os alunos e suas familias. E lá também era montada uma barraca de bolinho caipira. Várias pessoas ajudavam, era a barraca mais concorrida.


O sabor daquele bolinho está na minha memória, nunca mais encontrei nada parecido, parece que a alegria das festas tinha a ver com aquele gostinho de farinha de milho branca misturado com carne de porco temperadinha. Uma verdadeira delicia.


Minha mãe continuou com a tradição da familia, fez muitas e muitas vezes o bolinho, sempre presente em todas as festas lá em casa. Depois fez mais muitas e muitas vezes para meus filhos cada vez que ia ver os netos.


Eu aprendi a fazer, mas acho que não tenho "a mão", não fica nem parecido com o que a vó Nicota e a mamãe preparavam, aquele gostinho de infância.
Será por causa da farinha? da carne? do óleo? da panela? do fogão?
Será por causa da simplicidade que hoje não mais existe?


Hoje vejo inúmeras variações de receitas de bolinho caipira, acrescidos de outros ingredientes, pode até ficar bom, mas gostoso mesmo é aquele com a lembrança do afeto de quando era criança.


Assim são as receitas, de uma criação surgem várias versões, cada cozinheiro dá o seu tom. As tradicionais são as mais básicas, o que não impede que as novas criações e mesmo as releituras das antigas receitas possam surpreender.


Porém, importante é saber a história, preservar a memória e conservar o que nossos antepassados nos legaram. Por isso, a receita da minha avó Nicota, a dona Ana Rita Leite Gehrke, é mantida como foi criada e continua, para mim, a mais saborosa.



receita do bolinho caipira da minha avó - clique aqui

24.7.08

Bolinho Caipira de Jacareí

Ana Rita Gehrke, minha avó Nicota
divulgadora do bolinho desde 1925

bolinhos prontos para serem devorados!
a massa e o recheio de linguiça
a massa no ponto para enrolar
BOLINHO CAIPIRA DE JACAREÍ

(receita da minha mãe, original da minha avó Nicota)

ingredientes:
1 prato fundo de farinha de milho branca
1 colher cheia de polvilho (de preferencia doce)
1 maço de cheiro verde, predominando alfavaca (o majericão miúdo)
sal a gosto
como fazer:
Misturar bem com as mãos, esfarelando, adicionando água natural em temperatura ambiente até dar ponto para enrolar.
O recheio pode ser linguiça ou carne de porco picadinha, mas o recheio mais pitoresco é com peixe, principalmente lambari.
Fritar em oléo bem quente.

hummm... dá água na boca só de lembrar desse gostinho da infância em Jacareí... da vó Nicota em frente ao fogão de lenha... o bolinho é tipico do Vale do Paraíba, e dizem que a origem é de Jacareí.

as fotos são do meu irmão Edu, que fez os bolinhos deliciosos para essa época de friozinho.

*

3.2.07

comida brasileira



Achei este livrinho no sebo Iluminações, no centro de Campinas. As edições estão esgotadas, foi publicado em 2003, comprei para mandar para minha filha que mora bem longe do Brasil, para ela se lembrar das coisas boas da nossa cultura e do povo brasileiro.

Da lista de 1001 ítens, selecionei alguns. Como se sabe, a cultura da alimentação é a ultima que se perde quando se vive longe da pátria, vou começar com a parte culinária e gastronomica. E é claro que ela vai se lembrar da comidinha da mamãe, sei que disso tem muita saudade. Gosto de cozinhar e comer bem, e a comida brasileira é muito rica pela influência de tantas outras que chegaram com os imigrantes.

"o brasileiro é uma raça tão verdadeira por possuir um pouco de cada raça"

(frase de Ivo Pitanguy)

Hummmm... tantas coisas deliciosas!


Feijao com arroz
Feijao preto, mulatinho, rosinha, carioquinha, fradinho
Sanduiche de mortadela
Cuscuz paulista
Creme de abacate
Goiaba
Frango com quiabo
Carne seca com abobora
1 chopps e 2 pastel
cafezinho
banana frita com canela e açucar
bolinho de chuva
sonho
pào de queijo
caipirinha
goiabada cascão
queijo mineiro
acarajé
moqueca
canjica
arroz doce
doce de abobora
bombom sonho de valsa
diamante negro
bolacha maria
croquete
pastel de feira
caldo de cana
bobó de camarao
feijao-de-corda com manteiga-de-garrafa
água –de-côco
doce de leite
maria-mole
paçoca
empadinha
brigadeiro
feijoada
manga-espada
chá mate
leitao pururuca
aipim, macaxeira, mandioca
pudim de leite condensado
guaraná
tubaína
farofa de ovo
espetinho de queijo-coalho na brasa
galinha caipira
galinhada
galinha ao molho pardo
amendoim torradinho
castanha-do-pará
batida de côco
picolé de fruta
broa de milho
caldinho de feijao
torresmo
beiju
farinha de mandioca
mamao papaia
banana
chuchu
paozinho francês
rapadura

quem dá mais?

1.2.07

Bolinho Caipira de Jacareí


Minha avó tinhao 'Botequim do Café'  no Mercado Municipal de Jacareí quando eu nasci, lá nos anos 50... . Ela preparava os bolinhos caipiras e ficou famosa com eles. Era feito para comer na Semana Santa, e em Jacareí até hoje tem nas quermesses. Desde pequenininha eu como esse bolinho, aí vai a receita, simples e deliciosa:

BOLINHO CAIPIRA

(receita da minha mãe - Ziza - original da minha avó Nicota)


ingredientes da massa:
1 prato fundo de farinha de milho branca
1 colher cheia de polvilho
 
1 maço de cheiro verde, predominando alfavaca

sal a gosto

como fazer:
Misturar bem com as mãos esfarelando e adicionar agua natural até dar ponto, o recheio pode ser linguiça ou carne de porco picadinha, e o mais pitoresco é com peixe, principalmente lambari.


Fritar em oléo bem quente, escorrer em papel para ficar bem sequinho.

Bom Apetite!!!





atualização: em 2010 foi sancionado o projeto de lei, de autoria do vereador Edinho Guedes, que reconhece o bolinho caipira como patrimônio cultural e histórico de Jacareí, com a receita original da minha avó Nicota (Ana Rita Gehrke)


*